Fotos: Ian Hora para ML Comunicação
Na manhã desta sexta-feira (4), o espaço cultural Casa Rosa, em Salvador, sediou a abertura do Seminário de Economia Criativa na Bahia. Promovido pelo Sebrae em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), o evento reúne, até sábado (5), gestores públicos, instituições de ensino, representantes do setor produtivo, artistas e pesquisadores para discutir a criatividade como vetor de transformação social e desenvolvimento econômico nos territórios.
A iniciativa busca traçar caminhos para o fortalecimento de um segmento que abrange 110 mil micro e pequenos empreendimentos e movimenta cerca de R$ 400 bilhões por ano no Brasil, sendo responsável por movimentar quase R$ 14 bilhões na Bahia, representando 4% do PIB do estado.
Os números foram destacados pelo presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, que ressaltou a dimensão socioeconômica do setor e o papel da instituição no suporte aos pequenos negócios. “O Sebrae tem a obrigação de apoiar o empreendedorismo por meio da capacitação, do incentivo à inovação e do fortalecimento do setor criativo, gerando renda, cidadania e empregos”, afirmou.
O diretor superintendente do Sebrae Bahia, Jorge Khoury, classificou o encontro como o ponto de partida de um grande projeto para a economia criativa do país. “Esse seminário tem um valor inestimável e é um espaço ideal para que as instituições participem de um processo coletivo de diagnóstico para fortalecer a arte e a cultura nacionais. E importante reforçar que as políticas públicas devem ser elaboradas com base na realidade local dos territórios”, disse.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, enfatizou a importância da parceria contínua entre o MinC e o Sebrae para ampliar a geração de emprego e renda. “Debater esse tema na Bahia é estratégico devido às transformações geradas na vida das pessoas e que o investimento em cultura e arte representa um investimento direto na população, integrando uma agenda de desenvolvimento territorial justo e sustentável”, apontou.
A secretária nacional de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, reforçou a necessidade de estruturar políticas voltadas aos pequenos negócios do setor. “O trabalho na arte e na cultura não pode ser informal. É preciso qualificar os agentes para que se tornem empreendedores capazes de gerir seus negócios, permitindo que a produção cultural se difunda, seja comercializada inclusive no exterior e gere riqueza”, defendeu.
A diretora de Economia Criativa da Secretaria de Cultura de Salvador, Taise Santos, ressaltou as ações do programa Conexão Salvador Criativa, em parceria com o Sebrae, para promover missões internacionais, atrair investimentos externos e garantir a sustentabilidade financeira dos negócios do setor. “É importante que o olhar para a economia criativa vá além da formação do talento. É fundamental olhar para as oportunidades de mercado e para a sustentabilidade financeira”, concluiu.
A abertura também foi acompanhada pelo diretor técnico do Sebrae Bahia, André Gustavo, e pelo diretor de Administração e Finanças da instituição, Vitor Lopes.
Parcerias
A manhã também foi marcada pela formalização de importantes atos e parcerias institucionais. O Sebrae Bahia firmou parceria com a Fábrica Cultural, visando ações de formação, empreendedorismo e inclusão produtiva. A representante da Fábrica Cultural, Jaqueline Azevedo, destacou que a entidade nasceu com o planejamento do Sebrae. “Essa parceria fortalece o projeto, que já impactou uma rede de mais de 4.500 empreendedores ao longo desses anos”, disse.
Na área do audiovisual, foi assinado um protocolo de intenções entre o Sebrae e a Bahia Filmes, empresa pública de audiovisual do Governo do Estado. O acordo visa o fortalecimento da cadeia produtiva, capacitação e internacionalização das empresas do setor. O diretor-presidente da Bahia, Filmes, Pola Ribeiro celebrou o momento. “Esse é o acordo de cooperação com o Sebrae é o primeiro firmado pela Bahia Filmes. A criação da empresa pública para o audiovisual atende a um projeto desenvolvido pelo próprio setor”, lembrou.
A cooperação com o Consórcio Nordeste, representada pelo secretário de Equidade e Desenvolvimento Social, Túlio Florence, visa fortalecer ações regionais de desenvolvimento territorial sustentável por meio da economia criativa. Florence pontuou que o acordo é fruto de uma escuta com a sociedade civil, o setor produtivo e os governos para atender às demandas dos empreendedores nordestinos.
Já o convênio com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que estava representada pelo vice-reitor Fábio Josué Souza, pela diretora do Centro de Cultura e Linguagens, Rita Dias e pela professora Daniele Canedo, focará na produção de conhecimento, pesquisa e articulação para gerar oportunidades em todo o estado, a partir do fortalecimento do setor de economia criativa.
O ecossistema de criativo ganhou reforço com inovação e tecnologia com a parceria entre o Sebrae Bahia e o Senai/Cimatec, representado pela gerente executiva de negócios Tatiana Ferraz. A gestora ressaltou que a união entre educação, ciência, tecnologia e indústria criativa permitirá que os empreendimentos culturais se tornem referências no mercado.
Na música, o acordo com a Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), representada pelo presidente Clemente Tadeu, prevê a qualificação e capacitação de músicos independentes. Clemente ressaltou que a associação, criada há seis meses, busca espalhar o suporte à categoria por todo o país.
Programação
Ainda durante o período da manhã, a programação contou com a realização da palestra magna ministrada por Cláudia Leitão, abordando os desafios da ampliação de mercados, fomento e formação em Economia Criativa. A sessão recebeu comentários de Joaquim Cartaxo, diretor superintendente do Sebrae Ceará, e de Pola Ribeiro, da Bahia Filmes.
O Seminário de Economia Criativa prossegue com sua programação ao longo da tarde desta sexta-feira, com painéis dedicados ao debate sobre mercados e oportunidades para o setor. As atividades continuam na manhã de sábado (5), quando especialistas e participantes se reúnem para debater redes, territórios e governança, culminando na formulação de diretrizes para o desenvolvimento da economia criativa.
Fonte: Agência Sebrae

